Criei o espaço para publicar minhas idéias, digo poemas, apenas pensamentos espremidos até formarem versos. Puramente leigo, mais um diário que qualquer coisa.

Uma descrição do que passa por mim e do que fica, meu ponto de vista que é bastante restrito, desse tecido tão interessante, a alma humana.

Espero que apreciem a visita.


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domingo, 26 de junho de 2011

(Di)Vagando

Hoje vou dormir, tempo infinitivo,
Nem mesmo o céu saberia me dizer
Os aconteceres que se acumulam-se
São força motriz, energia reversa

Quando a semente posta, na terra-ventre
Precisa de repouso e do úmido calor
Das lágrimas e da força da compressão
Oprimida, ela saberá então rebentar-se

É do muito tropeçar, que se aprende
A levantar e erguer-se usando amor
Aqueles que mais alto chegam, são
Que mais sofrem na hora de des-ser

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Amor composto

Na ponta dos dedos todo o desejo queimando
na ponta da língua, fome de da vida anseia
na íris acesa, nenhuma palavra necessária
na respiração ofegante o fôlego se esvai

Tudo consumido em fogo intenso, tateando
saborear cada centímetro como última ceia
vislumbre em câmera lenta, dança perfeita
ritmo frenético e vontades satisfeitas

Um toque
Um sorriso
Uma lágrima
Um riso
Um beijo
Um suspiro
Uma carícia

Êxtase comum e tão surreal, sempre único
brinquedo de toda gente, jogo lúdico
não há regras, nem padrões pré destinados
pão do circo desse ciclo, é começo e fim


domingo, 5 de junho de 2011

Meu verbo no infinitivo

Nunca pare de perseguir o que quer,
mas seja lá o que for que procure
só vem quando couber em você, certo
justo e reto no corpo como a pele
tudo que vem, vem no tempo certo
acontece só quando tinha que ser
e se assim não for, não há volta.

Olhar pra frente dá desespero
e olhar pra trás dá nostalgia
feche os olhos ou olhe pra cima
ou pro lado, alguém vai ver você.

Nada é fácil de conseguir, e claro
quem anda na linha, o trem pega
ou uma ventania derruba, queda feia

Os ecos e sons dos passos que fogem
ficam perdidos, nem são ouvidos
daqueles que chegam são acolhidos
seja pra bem, seja para desprezo

Conhecimento é um caminho de mão dupla
saber de mais é uma tortura, de dúvidas
saber de menos é ditadura, silêncio
Conhecer a si mesmo, é só uma utopia

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Escorrendo tristeza


A dor que sinto e que me rasga
vai corroendo qualquer respeito
qualquer réstia de sentimento
escoa quando escuto, vejo, leio

Gente que ri de gente diferente
Gente que humilha gente inocente
Gente que pisoteia gente indefesa
Gente que mata gente que crê
Gente que tortura gente que ama
Gente que odeia gente por ser gente
assim, simplesmente

Isso desgasta, cansa, entristece
Como pode alguem dizer que é gente
se por vontade própria esquece
aquele do outro lado da sua raiva
também é gente que pensa e sente

É assim tão difícil de imaginar
um coração querido ali parado?
Ver que alguem bem do seu lado
pode ser a próxima vítima
do medo de alguém encurralado?

Gente violenta tem medo, e esconde
esse medo em cara feia de fúria
Desconta sua frustração no alheio
em tudo que é desconhecido seu
Sem ter consciência de si, de nós.

Por mais difícil que seja ainda,
exercitar pra valer, a tal da cidadania
(músculo esse que até você desconhecia)
Nesse mundo tem muita gente, diferente
Ninguém jamais vive a sós, o eu é um nós.



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Escrevo-me

Em ato exposto e visualizado
meu poema é sempre auto-retrato
esse rasgo de alma que se mostra
em nudez explícita e descarada
entrelinhas não escondem nada

Mostrar esse pedaço pequeno
como é uma foto, instantânea
aprisionar um único momento
transcrito em fonemas simples
como pintar-se nu, ao espelho

Tanta coisa cabe nessas minhas rimas
as vezes tão pobres ou mesmo nulas
que dançam ao som do riso histérico
ou choram com amargura descabida
a intensidade vívida em contraste

Ler-se como se fosse outro e ser
interpretado como se fosse alguém
deixar marcados os pequenos passos
que ficam na areia até outra onda
nessa ciranda poemada que se lê aqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Abismada




Estranho vazio inerte e invisível
vendo o mundo por uma redoma
vidro intransponível e inquebrável
lacre eterno que deixa passar luz
e com ela ofusco sensíveis retinas
gravando em filme de emoção
o correr desses rios que passam

Passa a redoma girando afora, sombra
entre tantas almas andando coloridas
tanta vida tanta alegria gritando
cá dentro chega tudo em luz intensa
alcança a alma fugidia e assustadiça
em corrida bruta tudo se encolhe

Vidro frio e insensível nada passa
lá dentro tudo parece tão quieto
as retinas dilatadas encolhem
uma exclamação muda, um eco
O som reverbera nas paredes
uma exclamação muda, um eco
as retinas dilatadas encolhem
lá dentro tudo parece tão quieto
Vidro frio e insensível...

em corrida bruta tudo se encolhe
alcança a alma fugidia e assustadiça
cá dentro chega tudo em luz intensa
tanta vida tanta alegria gritando
entre tantas almas andando coloridas
Passa a redoma girando afora, sombra

O cinza desbotado que não é cor
cala o colorido e assusta a luz
torna a virar e escorre camuflado
a paisagem toma cor novamente
o som volta a vibrar o ar
e as exclamações mudas seguem
sem conseguir alçar seu voo
reverberam no infinito em cinza


terça-feira, 19 de abril de 2011

Inspiração alheia

Em jorro vívido e vermelho
sangue velho e coagulado escapa
entre cerca apertada dos dentes
fluido viscoso que escorre e queima
aberta a víscera e desmantela
passa adiante derretendo, mudando

Um pulo no escuro jogar-se ao abismo
enfrentar o medo dentro de si
e virar-se ao inimigo revolto
o espelho que é igual oposto
essa teima constante que se quebra
desgasta por dentro e tudo arrasa

Argumentação infinita que se move
entre outras discussões da teia
cruzando caminhos e pisando espinhos
expele o resultado verborrágico
o veneno destilado desse resultado
atirado em versos desconexos

domingo, 10 de abril de 2011

Um modelo, um molde, que navega a esmo

Essa massa plástica e convulsa
que torna e distorce sobre si
trata de desvendar mistérios
gerando novos caminhos e entendimento
tudo tão tênue e tão precário
uma sobra de matéria que se faz idéia
essa mesma plástica dura como rocha
fixa-se e transtorna, sem deixar ir

Esse pensar metódico desmesurado
o medo de tudo formar-se errado
paixão que arde em dúvida
amor que renova-se todos os dias
o vento que troca de direção
qual é a mão que opera estes milagres?

Massa constante de suas inconstâncias
no vagar nessa órbita irremediável
tentando achar rumo no inexorável caminho
uma vontade tão forte que molda
a cada passo um pouco mais resistente
até que nada aguente e desfaça
em quantos pedaços couber essa mente

segunda-feira, 21 de março de 2011

Perdida nesse espaço avesso

A poeira varrida, sob o tapete
a máscara grudada sobre a face
uma dor coberta de sorriso
paradoxo eterno e compatível

Um sociavel ser, é dissonante
no todo mas de igual essência
confuso e caótico, ordenado
sonhando ideais, pré-concebidos

Perdido vagando numa Via branca
a deriva como um grão de pó
mascarando sua enorme pequenez
em monumentais engenhocas, é só

Trocar a segurança por liberdade,
a liberdade por proteção, o medo...
Trocar o certo por várias dúvidas
solidariedade por responsabilidade

O respeito tornou-se lei, penalidade
Educação merece premio, é raridade
a confiança ganha hoje tem validade
essa antiga ladainha não tem idade.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A depressão, o medo, o lado azul




O que se pode dizer que descreva
claro como a luz que me ofusca
tamanha consciência da ilusão
Uma pureza de alma e espírito
Assombro macabro de todo vazio

Esse mistério simples e claro
Paralelo intrínseco com existir
essa dor insensível, conhecer
O singelo toque do que cerca

Essa luz ofuscante, fugimos
Corremos com toda vontade
Tememos tanto a esse instante
Bem mais doloroso que morte.

O desespero dissolvido que é
em si a essência da antítese
de toda a esperança, da fé.

A tudo que buscamos, possuímos
sumo de tudo que agrada a alma
no só momento, a sós destruímos.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Enlevo

A luz desses olhos me prende
embalada na ternura do sorriso
envolta de um sede infindável
inflamável com um só gesto

Perdida nesse presente
eterno momento de gozo
suavidade e selvageria
completamente imperfeito

Benção única e singular
carma unilateral, se só
Uma chance em milhões
Milagre comum dos dias

domingo, 16 de janeiro de 2011

Vertigens

Vácuo constante, o pensamento
em um voo tangendo a realidade
passa além do normal e transpassa
qualquer velocidade, antinatural

Nada escapa e tudo é percebido
em níveis extremos, do processar
amarrando as idéias sempre a voar
preso no azul eterno, céu infinito

A distância é tanta, de seu próximo
a solidão palpável pesa às costas
dominando as alturas, sem direção
nenhum caminho, nem obrigação.

Tão longe da superfície sempre
fora de toda regra, fugidio
uma sombra brilhante no céu
a árvore que tomba na floresta.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Flor de estufa

A sensibilidade típica, me é extremada
nascida em estufa, protegida e cuidada
toda paixão que é tórrida, me derruba
o amor é um sol de verão extenuante
mas a solidão continuada esse inverno
não deixa que brotem minhas pétalas
Esse paradoxo constante, gratuito.

Fugir da cadeia, deixar ser levada
mudar de forma e tornar-me adaptada
essa natureza extrema sempre em fuga
explosões momentâneas, sim vibrantes
seguidas de pavor completo e interno
faz arrefecer a alma e fechar sépalas
para que volte a explodir, fortuito.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Solitário

Um brilhante bruto e incluso
retraído na própria essência
descabido em pureza protegido
envolto em rocha bruta escura.

Com o devido polimento,
depois de muito tormento
uma jóia, raro ornamento
seria esse seu intento?

Flor belíssima, lírio
surgido em lugar remoto
arrancado para servir
ao belíssimo arranjo.

Toda beleza realçada
toda natureza forçada
essa busca perfeita
de toda obra inacabada.

Solidão

É a minha loucura que mantém
plena minha sanidade, é fato
sem medo de negar, a origem
de todo o erro é preocupação

Desorientado senso, resignação
acostumar-se a cumprir o dever
a essa horrível convivência
o social depressor do racional

Medo terrível de diferir
tantas regras a servir
as razões para definir
nem pensar, é só seguir.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vibrando rimas

As coisas que coisam por mim,
as coisas que me prendem aqui
as coisas que todos me dizem
as coisas que vem por ai

Coisas perdidas no tempo
coisam com meu pensamento
coisas são apenas as coisas
coisando a todo momento

As coisas que vibram meu ser
que modulam o meu movimento
As coisas que mudam meu ser
que alteram o meu sentimento

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Serpenteando

Acordar do avesso, virada pra dentro
tento levantar e me sento, observando
tudo sensível, o corpo lento move
vôo dentro, à velocidade do pensamento

Em salto deslizo, mundo a fora viajando
tudo tão torcido faz sol, aqui chove
minhas lágrimas molhando a manhã
Sorriso aberto para o dia seguir

Tateando nesse lugar meio hostil
ando depressa, por medo de ser presa
mas nem tanto, para apreender e ver
por que é bonito o desconhecido

O incabível o tangível, nada plausível
a sensação como um todo, do que é novo
assusta, atrai e perturba. Encantador!
Esse poço sensitivo, nasce descobridor

A linha tênue que sustenta o seguir
separa frágil o deixar de existir
manter-se alheio sempre é opção
vestir o capuz, ignorar a tentação

domingo, 7 de novembro de 2010

Andando...

Quero um amor que seja grande
maior que todo o meu mundo
toda ternura de uma amizade
todo o tórrido da paixão

Quero amigos, todos que tenho
os que tive a sorte de achar
mas quero mais alguns poucos
os melhores, com quem contar

Quero uma casa grande, sempre
pra encher desses meus amores
com um quarto muito espaçoso
que caiba ali uma história

Quero ter sempre esperança
um sorriso incontido, alegre
manter os sonhos impossíveis
para torna-los todos realidade

Quero saber caminhar devagar
aproveitar a paisagem linda
saber ver as coisas pequenas
para valer a pena a passagem...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quebra-cabeça

No meio-termo do todo
perdi um pedaço daquilo
acabo exagerando naquilo
em partes mil explodo

Com toda licença poética
retalho milhares de verbos
tomo posse de substantivos
roubo todos os sentidos

Reconstruo assim meu poema
de rimas velhas da canção
inventando adjetivos novos
mas sem fugir do jargão.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Bom dia

A Luz filtrando o calor, atravessa
A fresta das pestanas semi-cerradas
aquece o fluido viscoso e circulante
em tom de pressa, em cor de paixão

Minúsculas partículas irridescentes
Turvam e brilham ao fluxo do ar
dançando e girando no véu da luz
em magnífico mosaico a formar

Os sons que enchem e abafam os nossos
O mundo desperta sem esperar por nós
A vida que toma formas inusitadas
Oferece seu espetáculo de toda manhã.