Criei o espaço para publicar minhas idéias, digo poemas, apenas pensamentos espremidos até formarem versos. Puramente leigo, mais um diário que qualquer coisa.

Uma descrição do que passa por mim e do que fica, meu ponto de vista que é bastante restrito, desse tecido tão interessante, a alma humana.

Espero que apreciem a visita.


Todas as imagens são da internet e de propriedade dos respectivos sites.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Flor de estufa

A sensibilidade típica, me é extremada
nascida em estufa, protegida e cuidada
toda paixão que é tórrida, me derruba
o amor é um sol de verão extenuante
mas a solidão continuada esse inverno
não deixa que brotem minhas pétalas
Esse paradoxo constante, gratuito.

Fugir da cadeia, deixar ser levada
mudar de forma e tornar-me adaptada
essa natureza extrema sempre em fuga
explosões momentâneas, sim vibrantes
seguidas de pavor completo e interno
faz arrefecer a alma e fechar sépalas
para que volte a explodir, fortuito.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Solitário

Um brilhante bruto e incluso
retraído na própria essência
descabido em pureza protegido
envolto em rocha bruta escura.

Com o devido polimento,
depois de muito tormento
uma jóia, raro ornamento
seria esse seu intento?

Flor belíssima, lírio
surgido em lugar remoto
arrancado para servir
ao belíssimo arranjo.

Toda beleza realçada
toda natureza forçada
essa busca perfeita
de toda obra inacabada.

Solidão

É a minha loucura que mantém
plena minha sanidade, é fato
sem medo de negar, a origem
de todo o erro é preocupação

Desorientado senso, resignação
acostumar-se a cumprir o dever
a essa horrível convivência
o social depressor do racional

Medo terrível de diferir
tantas regras a servir
as razões para definir
nem pensar, é só seguir.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Reticências

E essa fome de conteúdo
esse desejo absurdo de
enfiar sentido por tudo
em cada lugar encaixado
meu eu nasceu quadrado

Fazer tudo errado certo
cabendo no espaço aberto
escondendo os defeitos
amontoando as falhas

Ah esse risco absurdo
de desconhecer o mundo
não ter milhão de amores
nem ser o Sol da galáxia

De deixar desabrochar
de não forçar a beleza
não gritar aos ventos
que sou mais um, igual.

Esse horror de gostar
achar uma graça diferente
em tudo que não é padrão
as exceções, fascinantes...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vibrando rimas

As coisas que coisam por mim,
as coisas que me prendem aqui
as coisas que todos me dizem
as coisas que vem por ai

Coisas perdidas no tempo
coisam com meu pensamento
coisas são apenas as coisas
coisando a todo momento

As coisas que vibram meu ser
que modulam o meu movimento
As coisas que mudam meu ser
que alteram o meu sentimento

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Andando ...

Corri o mundo todo a procurar
o tesouro mais bonito pra ficar
Alcancei o mais alto sacrifício
para sentir por mim o que é se doar
Tentei todas as fórmulas sabidas
pra encantar a gente, ser querida
Ah, como corri contra o vento
querendo sempre passar esse tempo
Fugi da tempestade, por medo
pra não expor meus feridos.

Quem faz por si, tanto mais ganha
aquele que achou os amigos
esse tesouro de maior valia
porque não há nessa passagem
melhor coisa que a viagem
mas tem que vê-la por si, só
Ignorar os maus ventos, tormentas
correr no tempo é desperdício
ele que já passa tão depressa
Nem deixar de lado o que importa
E isso, cada um sabe de si.

Batatinha quando nasce

Nasci sem saber andar
mas atiro-me correndo
por ai nesse mundão
Nasci sem saber sonhar
mesmo assim eu tropeço
flutuante, por ai a viajar
Nasci sem saber querer
mas me torce o miocárdio
cada gesto e sorriso teu
Nasci sem saber amar
espero alguém me ensinar
sempre e de novo, recomeçar.

domingo, 14 de novembro de 2010

Baseado, em fatos reais.

Ah essa insônia persistente
que deixa acordada a mente
não deixa fugirem os sonhos
nem deitarem vôo as esperanças
um rígido e inexorável vigiar.
Mantendo sempre sóbrio olhar
atentando aos deslizes e quedas
para que a postura seja reta
essa eterna mesmice que cansa
o riso contido e choro escondido
emoção que nunca chega ao olhar.
Por que chegaria à janela, se
não provem ela espontânea da alma?
Se é sempre fingida a minha calma
muito estúpida a benevolência
se eu esqueço minha autonomia,
quem vai lutar por minha justiça
o direto unânime de ser autêntico.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um tempo, ou dois...

De quando o espírito se cansa de lutar
o corpo para de vibrar e a alma encolhe
atada a essa fome inexorável de prosseguir
aquele vazio se alastra e esquecemos
as cores são pastéis e o som é baixo
onde ecoa um silêncio tão profundo
que mergulhamos nele, frio e implacável
todas as idéias voejantes repousam
apegadas ao escuro pegajoso e assustador
faz inverno aqui dentro, a despeito
de todos os amores de primavera florescendo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Serpenteando

Acordar do avesso, virada pra dentro
tento levantar e me sento, observando
tudo sensível, o corpo lento move
vôo dentro, à velocidade do pensamento

Em salto deslizo, mundo a fora viajando
tudo tão torcido faz sol, aqui chove
minhas lágrimas molhando a manhã
Sorriso aberto para o dia seguir

Tateando nesse lugar meio hostil
ando depressa, por medo de ser presa
mas nem tanto, para apreender e ver
por que é bonito o desconhecido

O incabível o tangível, nada plausível
a sensação como um todo, do que é novo
assusta, atrai e perturba. Encantador!
Esse poço sensitivo, nasce descobridor

A linha tênue que sustenta o seguir
separa frágil o deixar de existir
manter-se alheio sempre é opção
vestir o capuz, ignorar a tentação

Temporal de tempos

Frio por fora, gelado por dentro
um pequeno verme corrói o eu
desânimo colossal se ancora
afundada em passado a alma chora
Que seria o eu sem o imperfeito
Um futuro do pretérito, seria
tudo quadrado e reto, tempestade
sem espaço para a pequena calmaria

Abrir os olhos para aquela luz
uma assim tremeluzente, presente
tão cheia de gerúndios, ela é
aconchegante,a tal de esperança

Sair correndo como a criança
atirar os braços para a vida
de rosto limpo e a alma límpida
fazer história, esperança futura

domingo, 7 de novembro de 2010

Andando...

Quero um amor que seja grande
maior que todo o meu mundo
toda ternura de uma amizade
todo o tórrido da paixão

Quero amigos, todos que tenho
os que tive a sorte de achar
mas quero mais alguns poucos
os melhores, com quem contar

Quero uma casa grande, sempre
pra encher desses meus amores
com um quarto muito espaçoso
que caiba ali uma história

Quero ter sempre esperança
um sorriso incontido, alegre
manter os sonhos impossíveis
para torna-los todos realidade

Quero saber caminhar devagar
aproveitar a paisagem linda
saber ver as coisas pequenas
para valer a pena a passagem...

sábado, 6 de novembro de 2010

Ecos e reminiscências ...

Ah esse sorriso! Me tiras o chão
esse enigma inatingível e impassível
quebras minha compostura, derreto

Deixa-me levar a um passeio
A chance de encontrar o rubro
deste meu coração em chamas

Tocar-te com a alma em chagas
Um bálsamo em ébano perfeito
Cura minha para toda a loucura

Quem dera fosse eu à tua altura
Desses belos traços desenhados
Morenos cachos, charme encarnação

Não saberia alcançar teu pensamento
perdoe, por favor meu acanhamento
Perco a fala enquanto te contemplo

Sonho aborrescente

Olhar fixado, amor idealizado
sonho juvenil, miragem perfeição
impassível em vontade, incrível
sonho feito em carne e beleza

Respiração descompassada, tropeço
mundo congelado, em fala enrijeço
o vazio, vácuo cerca-me então
passas por perto e o resto vai-se

Desfaz meus pensamentos, perdição
acorda meus desejos, tentação
apaga meu controle e tranbordo
quebrada em ondas de pura emoção.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mutação

Se deixar de amar, converter-me em fria concha
Vagarei alheia aos demais seres apenas existindo
Se esquecer de pensar, converter-me em molusco
Sonhando sem buscar, criando sem nada gerar
Se trancar o caminho, um ruim acontecer, posso
como reação comum aos vivos seres, transformar
Pedregulho do caminho, em brilhante madrepérola
Converter o que era lágrima, em grande piada
Fazer do choro uma grandíssima gargalhada

Bater de pestanas

A luz do sorriso a cada amanhecer
o dia se faz novo a cada gargalhar
o tempo desliza sem ser notado
escorregando em minhas mãos

Alguém diminui a luz, tão claro
quero ver o brilho desse olhar
contemplar o inteiro sem enfado
estar nessa loucura boa dos sãos

Ouvir-te a fala, é poema musical
tudo parece certo e o resto nada
o que importa é agora, esqueça
amanhã o dia é outro presente.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quebra-cabeça

No meio-termo do todo
perdi um pedaço daquilo
acabo exagerando naquilo
em partes mil explodo

Com toda licença poética
retalho milhares de verbos
tomo posse de substantivos
roubo todos os sentidos

Reconstruo assim meu poema
de rimas velhas da canção
inventando adjetivos novos
mas sem fugir do jargão.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Bom dia

A Luz filtrando o calor, atravessa
A fresta das pestanas semi-cerradas
aquece o fluido viscoso e circulante
em tom de pressa, em cor de paixão

Minúsculas partículas irridescentes
Turvam e brilham ao fluxo do ar
dançando e girando no véu da luz
em magnífico mosaico a formar

Os sons que enchem e abafam os nossos
O mundo desperta sem esperar por nós
A vida que toma formas inusitadas
Oferece seu espetáculo de toda manhã.

Mágica

Somente respire, inflar e desinflar os pulmões
Mantenha os olhos abertos e foco nas cores
Elas são lindas, as cores e os contornos
Se sentir algum desconforto, então chore
Vai existir alguém lá só para atende-lo
Sempre que sentir fome, frio ou calor
Vai ensinar tudo que é necessário fazer
Para que siga respirando e não sinta dor
Alguém que nem sempre acerta, mas tenta
Você deve respeitar e amar, mesmo assim
O que são essas coisas? Ah, o nascimento
pode ser demorado ou mais curto, varia
Mas quando estiver pronto, vai ver a luz
Sentir um frio na barriga, uma perda
Assim são os começos, um pouco de medo
Mas você logo se acostuma, a vida.

sábado, 11 de setembro de 2010

Transcende o foco

No meio do campo, flor botão
a semente que não germina
Paisagem de pôr-se do Sol
Imagem estanque, ainda bela

O anteceder de um acontecer
é a melhor parte do mesmo
a transformar-se e sentir
novos movimentos de alma

Um desdobrar de sentimento
pressentir o presente assim
frações preciosas de tempo
o sabor de um pensamento

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Artefato na lâmina

Uma vontade inquebrável, temperamento instável
o desejo ardente uma paixão sempre crescente
uma tormenta de saber, um por que sem querer
desejo inquieto, uma curiosidade insaciável
essa fome de conhecer, a dúvida constante
amarram minha alma nessa façanha de viver
se algo nessa existência consegue me ter
entregue de corpo e alma abertos, o saber.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Exceção




Explicar o conceito lhe tira
grande parte do mérito afinal
se é para ser diferente, vira
uma coisa padrão, com igual

Ouvia dizer durante a infância
saber ser diferente é grande
quem difere sempre é importante
saber opor-se, pensar por si

Como se ser banal fosse comum
Além disso, ser comum é ruim
Pensar por si pareceu a mim
algo sublime, ter voz, ser um.

Continuo procurando o padrão
tentando achar onde encaixar
Mesmo que tudo tente seguir
a simetria perfeita, vazia

Se tiver informação explique
como alguém difere sem padrão
pensar é único, já o desejar
fator comum. Desejar diferir.

Querer ser especial em lugar
onde existe uma ditada ordem
uma padrão ditado, por ninguém
dizendo sempre o que é melhor
resta me entender, para quem?

domingo, 22 de agosto de 2010

A urna do passivo versus ativa

Tão mofado está o sentido
o coletivo todo embotado
não se vê além do riso
se não for bom, pro lixo

Pensar é passado, tempo perdido
agir no presente, contanto que
seja apenas para auto-benefício
ou vira imperfeito particípio

Se aparecer na mídia vote.
Contestar é pra acomodados
incomodado... que trabalhe!
uma vaia aos incomodados.

Se quiser ser honesto aparecer
faça piada, fale muita besteira
Vai ter gente vendo, moscas
Elas sempre chamam as outras.

Mas votos? Bem simples então
depois do show, os bastidores
você se vende ao normal jargão
perca identidade, ganhe partido.

Por que tentar ser fiel aos ideais
pode ser usado contra no porvir
sejam simples e sem sentido, ou
concretas e com efeitos reais.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Procura-se



Nem ilusão nem mágica
a fantasia limitante
nem busco perfeição
ou forma contrastante

o modelo mais simples
de coração vivente
a bravura do sábio
com paixão ardente

um modelo que caiba
na palma das mãos
sem ali ficar preso
mas seguro e firme

que conduza sem mágoa
nem acabe por te-las
que não saiba o engano
mas saiba surpreender

que esqueça tudo lá fora
quando aqui dentro estiver
mantenha portas fechadas
mas se saia venha dizer

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Limpeza

Um dia me perguntei por que
tanto escondo minhas lágrimas
afogo sozinha os problemas
mesmo que demonstre tristeza.

Bebo-as ums a uma sempre
lavo assim minhas dores
pacientemente esperando
bebendo-as uma a uma.

Um reservatório sempre cheio
pode então resfriar todo ódio
apagar mágoas e afogar medos
rega minha esperança vicejante

A paciência é uma virtude
cutivada em tempo largo
regada com tantas lágrimas
recebe a luz do sorrisos.

Colhendo uma gota por vez
destilo o que não me cabe
purifico o que não serve
literalmente lavando a alma.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Desalento

Certas coisas não se muda
não se extrai uma essência
sem arrancar-lhe a polpa
sem esmagar o fundo d'alma

A dor de mais insana que
quebra o sonho mais alto
Como tenta voar o pássaro
se lhe alquebram as asas?

Se não souber livrar-se
da casca, ao ovo não sai
Mas se tiram-lhe o céu
por certo fica perdido

Por caso não sabia ele
que em vôo foi ao perigo?
Espreitando tão alto
Avistou-se o tal inimigo.

Certo, já lho tinham dito
uma pena não dar ouvidos
Tem asas afinal, é preciso
se não voa também perece.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Às voltas

Pra falar de todos os temas
que agitam e bagunçam idéias
o tal do senso comum é desses
que me deixam perdida do rumo.

Amigos pra ter sorrisos
alegria é um obrigação
bebida pra desinibição
as roupas pra exibição

Coisas que não cabem
um padrão tão estreito
feito salto bem alto
espartilho bem justo

Conversa boa é bobagem
aquele papo bom mesmo?
só partindo pra fuleragem
no outro oposto, o cult.

Partido político é time
joga junto e vive junto
E futebol é vício mesmo
vale mais que uma vida.

Por que ter uma conversa
se agora não estou no bar?
Ser amigo do ninguém, não
só os top pra relações.

Isso é tudo tão estúpido
A mim parece tão óbvio
Mas quando olho longe
Me vejo aí nisso tudo.

sábado, 24 de julho de 2010

Azul ou vermelho?

A graça de um sorriso
o gozo de um sentido
Acompanhar o sol nascer
Comprar que se quer ter.

Tudo tão distinto e igual
São essas coisas tão comuns
Tão maravilhoso quão banal
Mexem na alma de alguns.

Sem receita e sem remédio
coisas são boas ou coisas
basta que se lhes aplique
um significado adequado

Não há um caminho errado
basta que o gosto fique
um fio de personalidade
que antes era inédito.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Apenas resmungos

Tanta gente ocupada no futebol
preocupada com alguma novela
Tanto para ver, o que comprar?
Será que já tem algo novo?

O monstro que gera desejo
que alimenta muitos sonhos
Também inventa mais alguns
para que se queira mais.

O que é meia dúzia com nada
se um tem milhões de dúzias?
Mas isso é antigo, sabido
mudou a responsabilidade.

Reis e governadores respondiam
tratavam com o povo em fúria
ainda que com o pão e circo
pessoas reagiam e cobravam.

Agora é fora da moda, cliche
Protestar da tanto trabalho
E sem trabalho estão muitos
Por que então reclamar, não?

Por que se tratar um câncer
se ele vai aparecer em anos
e agora eu tenho um resfriado
horrível, realmente incômodo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Livin circles

When the things go that bad
And every thot are flying
To look inside is so dificult
You´ve just take a wave, let go.

Have Some One, than will be
looking every times the storm
With diferent names or faces
All hope and goodnes, waiting.

If you need a time to prove
Take all you need, He wait
to help if you only permit it
He have time, you maybe.

This big mass inside
could be more bigger,
and you´ve be smaller
so stop prove, solve.

Who say the life is cicle?
Cicle look like a circle
Life look like a line, big
and full of up and downs
That is just like a hart hit.

sábado, 17 de julho de 2010

Um cotovelo ferido

Por vezes aquela criança que temos
que se mantém por toda vida ativa,
resolve brincar conosco, inocente
dos estragos que pode provocar.

Uma dor infame torna a assaltar
meu coração, infame a aprontar
desta vez, o doce dura tão pouco
o compromisso alheio ele ignora

Basta um olhar ou um sorriso
Tem ele domado, fez-se cativo
Tamanha inocência é frustrante
como viver eternamente infante?

Saber e querer são distintos
tão opostos como preto e branco
Não há solução melhor que tempo
Nem vazio maior que a ausência.

sábado, 3 de julho de 2010

Céu de tormenta

A noite silencia, com todo ruído
o calor de verão acaricia incômodo
tudo é inquietante em movimento
contraste com o céu inteiro púrpura

O brilho da lua todo encoberto
aquela quebra de calor tão intenso
o silêncio esboça mostrar-se então
tudo diminui de intensidade, calor

umidade sufocante, a terra aguarda
o cheiro de relva verde aquecida
os ruídos aguçados pela temperatura
olhos e antenas focados, premiados

Vastidão aquosa derramada em fúria
a verter das nuvens no rasgar do raio
a luz ofusca o alívio temporário
o bálsamo derramado entre trovoadas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Paciente

Se nada faz sentido
o mundo contrariado
tudo estaganou-se
sem sensação, perdido

o coração inócuo
transborda vazio
não se pode supor
ser só invólucro

o tempo todo tudo
agir sem consciencia
casca errante segue
buscando a essência

seja bálsamo ou fel
que seja abundante
espera-se ter o céu
ou a dor lascinante

mas sentir-se vivo
vivendo, sentir

sábado, 26 de junho de 2010

Alma em vermelho carmesim

Um querer desalmado por possuir
fome ardente a consumir e roer
alcançar ossos, músculos e carnes
cinco sentidos carentes ampliados
uma concentração egoísta de querer
o não bastar-se total dependência
total intensidade da carência.

Some-se o pudor vai-se timidez
olhos atentos em brilho febril
mãos desenvoltas com altivez
mente em vulúpia com seu ardil
sentir e tocar, receber e dar
doar e perder-se nessa mescla.

Tolher-se da visão pelo olfato
satisfazendo audição e o tato
deixa-se levar pela enxurrada
o som que apanha o toque, cor
o cheiro enleva a alma, tato

Sentir-se pleno e ir além
querer doar-se percebendo
satisfazer o ego além de si.

Em branco

Cor da luz, tão vibrante
remete ao saber, consciente
ao tempo futuro ou presente
o que se faz aparecer, claro.

Uma cor de dois lados, tal
como o é o saber, apreender
algo palpável e compreendido
definido, nem sempre completo.

O puro, o alvo, mistura, espectro
tanto em um só que extravasa, luz
o matiz mais aguçado, da percepção
aquele que desvenda, conjunção.

O tudo que vem vazio, afinal
viver é contradição, dúvida
sem desafio, não há reação
ausência do estímulo, inércia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Recompensas

Quando tudo é escuro e triste
o brilho do sol não aquece
um vento frio, fustigante
o caminho difícil e errante

Abrir bem os olhos e atente
achar os detalhes, confiante
as surpresas que acontecem
porque antes não vistes

Um olhar amigável discreto
o apoiar de uma mão, afeto
sorrisos em vão, carinhos
um abraço perdido, amor.

Achar em meio ao escuro
tais miudinhas estrelas
tão chavão, tão intrínseco
mas na prática um desafio

sábado, 19 de junho de 2010

Pré-vendo um acontecer



Vez e outra vem me visitar
aquele ser feminino, mulher
que um dia ei de tornar-me
não que seja outra, é futuro.

Dança ela comigo e me embala
doa-se em idéias, verdades
que posso pensar apreendo
realizações, sonhos, certeza

Aquela que será, um dia serei
sabe melhor que qualquer um
todos os meus medos, defeitos
dita-me os caminhos e ensina.

Enquanto aprendo errando, choro
escuto todos os movimento dela
enqunto ergue as asas, sorrisos
emergindo um pouco, todo dia.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Amontoados e bagunçados sentidos


A casca vazia corroída
a voz que soa, sumida
Ecos de um não sei
perdidos no vento.

Pensar é irracional
Sentir não é funcional
Penso nisso tudo e logo
Mal suporto esse sentido.

Quem inventou o coração
não lembrou do detalhe
de fazê-lo resistente
para ajudar a gente.

Ele é uma coisa oca
pulsante e vibrante
frágil, sim muito
e completamente boba!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reescrevendo


Tentar fazer tudo diferente
Trilhar o caminho distante
Parecendo ser indiferente
Mas sou mais um viajante.

Quem sabe quando tudo é rosa
Nessa coisa toda instável
Do querer e não saber o que
mas amar tanto, sendo um

Passarinhando e querendo
ser caçada em pleno voô
Sendo predadora altiva
de cenho fechado e feroz

Quem percebe emoção ou amor
ante a face serena da esfinge
em seu jeito muito leonino
Sucitar dúvidas infinitas?

Eis que me perco em entender
Me encontro sem achar resposta
e o reflexo da dúvida, pausa
tempo eterno das pirâmides.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Procura-se manual

Ver a luz pela primeira vez
sentir o calor maternal
ouvir o som paterno, a voz
encher os pulmões, existir

Uma máquina fantástica, genética.
Absoluta, complexa, fascinante
Por isso tão cheia de falhas
Mas elas se compensam, sempre

De alguma forma o design completa
Cada uma das falhas com bônus
Isso equilibra seu funcionamento
Faz com que tudo seja melhor.

Nem sempre são fáceis comandar
Interação pode ser assustador,
uma vez que defeitos se unem
Ou qualidades são díspares.

Uns nascem tão prontos, perfeitos
Outros são mais inacabados, talvez
Falta de trato diário, defeito
Só não há manual de instruções.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Desenhando arestas

Limite é uma palavra pequena
mas tão cheia de significado
uma pequena bem autoritária,
que se basta e completa.

Por que a liberdade que é
tão bela e faceira não passa
por cima dessa pequena feia
e transgride sua altivez?

Porque respeito e educação
são seus guardacostas leais
mas sem deixar de se-los
são amicíssimos de liberdade.

Temos aí uma parceria inédita
encaixe perfeito das palavras
expressão do complexo simples
mas tão ininteligível à alguns.

Temos um corpo tão frágil
limitado, fraco, débil, belo
se medirmos nisso quem somos
não compreendemos o existir.

Por conviver com outros corpos,
dotados das mesmas fraquezas
aprendemos a apreciar no outro
a nossa pequena e própria beleza.

Desde que consigamos fazer
o jogo das palavras e pensar
além desse invólucro limitado
pra dentro do pensar infindável.

sábado, 29 de maio de 2010

Poematizes e tons

Questionei-me do por que
desabafa minha alma em metáforas
transcreve sentimentos em versos
não em forma linear, um texto

Minhas mão respondem tristes
faltam-lhes o dom com as tintas
não podem pintar um momento
que passa do lado de dentro

Não há câmera que capte idéia
como não verbete para saudade
nem matiz para paixão, ardente
ou expressão para traição, dor.

Aceitei os argumentos e entendo
o verso,tão dúbio e incerto
encontra aí seu trunfo maior
pode esconder mais e mostrar.

A mágica do verso não rima
é ritmo, intensidade emoção
a beleza vem da interpretação
instantâneo sem foco, infinito.

Paixão

Egoísta e tão humano
o amor por si se basta
o fato de amar é feliz
basta-se por existir

Qual prazer é sentir-se
estendido noutra alma
num espelho, o oposto
repartir a si e ganhar

Dar-se e sentir receber
tudo é intenso e sensível
o mundo gira ao redor
tudo espera, nada quer

Ação e emoção em potência
da luxúria à pura inocência
com todos os matizes e tons
espectro do belo, espetáculo.

Tempo-espaço

Meu tempo é aquilo que faço
não ações concretas, mais
o que passo o que penso
aquilo que me leva até.

O tempo é eterno, e não o é
cada instante é único momento
jamais estaremos sempre ali
por isso só somos finitos

o corpo, mente não suporta
dividir tanto em tão pouco
somos simples e materiais
finitos e limitados, únicos.

Eis o que faz cada um diferente
o que nos aproxima como iguais
todos vivemos e apreendemos
dentro do tempo que passa.

A beleza disso é imperceptível
tão sutil que se perde invisível
mas a alma compreende e traduz
com o sentir o que não compreende.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Devaneio em movimento


Tão impressionante e admirável é
alçar vôo livre uma ave de rapina
toda liberdade e poder que emana
belo de uma forma poderosa, fascina

Os olhos vasculhando o horizonte
Confiantes de suas poderosas asas
A sós um rastro no vento, livre
o bale da caça parece mágica.

Quisera eu ter asas tão fortes
A confiança dos olhos vorazes
Equilíbrio e graça, liberdade
Jogar-se no vazio confiante.

O alvo encontrado na mira
A confiança corrente, veloz
Golpe certeiro, um inexorável

Tem-se farto e põe-se a brincar
Não há saída sem lutar, inútil
Fora dominada pelo fascínio.

terça-feira, 25 de maio de 2010

"In-sight"



Guardo sempre a receita,
que me cura dores difíceis
males da alma, intratáveis
que se vão como se lavados.

Olho o dia lá fora, sim dia
seja sol, chuva ou temporal
deve-se olhar com cuidado
calibrar as lentes no belo.

Em lugar de ruído baixo, ou nenhum
ou ouvindo o som das aves e o vento
respiro profundamente, bem devagar
deixe sentir o sangue renovado.

Imprimo um retrato em movimento
de sons que posso ouvir, música
das cores que posso ver, beleza
mas o mais importante de tudo
estar ali podendo captar o infinito.

A beleza de estar vivo é sentir
que se está vivo e só, perceba
que sem companhia o momento fica
íntimo, puro, assim é a mágica.

Ilusão de vista

Ao verso comum não me entrego
ao fato contado apenas registro
o passado é história, aprendida
mas não para ser copiado literal.

Tentar achar a luz lá no fim
quando é tudo escuro em mim
Até mesmo minha rima pobre
esquece de formar o dobre.

Labirintos são feitos para esconder
Mas reza a lenda perdida no tempo,
aquele que o constrói, para abrigo
Ainda um dia, nele mesmo fica perdido.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dormencia




Como posso privar-me do senso comum?
Parecer comum e agir como qualquer?
Se tão pouco compartilhasse a visão
alegre da criança faminta ao comer,
o pai de família com salário certo,
o doente que progride em tratamento.

Meu sentidos são torpes e afetados
captam muito e ainda nada sinto
a beleza chama lá fora, intensidade
eu grito aqui de dentro: silêncio!
Como pode haver pranto e sorriso?
Viver ainda que sem uma boa razão.

Viver o presente que eu não abri
esperar um futuro que não sonhei
olhar um passado que não construí
amar alguém que, tão pouco admirei
chorar pelos erros que nem cometi
sentir saudade das amizades consegui.

Poderia me dar folga a consciência?
Minha seriedade desaparecer agora
deixar o tempo limpar essa casca
manta espessa de medo e angústia,
que cobre todos os passos infantes
e me alcança ainda na mocidade.

sábado, 15 de maio de 2010

Ser e não estar

Um vazio no espaço, uma ansia
completo de desejo sem objeto
querer sem saber o que ao certo
vontade de correr, estado suspenso
o corpo inteiro vibra e reage
sem mover-se um centésimo sequer
a respiração inalterada mas
pensamentos trabalham em fúria
O mundo inteiro congelado
e não existe lugar para estar.
Em algum lugar sorrateira foi
a paixão que me consumia
escondeu suas garras à espera
de estancarem as feridas abertas
o momento certo de voltar
com nova face e novo tentar.
Segue meu coração a bater, lutar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Inexplicável detalhado

Quando tudo parece igual
Nada parece servir, jamais
Aquele momento em que
O tédio nos domina,

Essa coisa pesada, fluida
A sensação de vazio
Supera qualquer coisa
Engole qualquer sentimento

Traga-nos como a areia movediça
Enlevo do ócio absoluto, e
Ainda que não estejamos tristes
Nos derruba fora da alegria.

Um querer ser e não estar
Vontade de correr, voltar
Senso de direção sem saída
Estar machucado sem a ferida.

Quem não experimentou já
tal sensação tão descabida?
É mais um dos sintomas que
atesta nossa humanidade.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Confusão

Estranho como tem fama,
má fama é o que digo,
Os poemas e assemelhados.
São tortos e dificultosos.

Poemas são, a meu ver
tão difíceis quanto ver,
complexos como conversar
intrínsecos, e explícitos.

Claro! Nós banalizamos,
Nossos atos e diálogos
Somos sempre egoístas
Pensando que nos entendem.

Veja bem, quando digo algo
espero ser compreendido
mas nem sempre acontece
e quase nunca é conferido.

Temos diálogos desinformados
Somos medícres com palavras
Temos medo de dizer tudo
Então dizemos só metade

Para que a metade seja
aceita e completa no outro
Assim somos aprovados
no simples da linguagem.

Escrever de coração é
um dilema, expomo-nos.
Mas no fundo das palavras
há sentimentos verdadeiros.

Um poema é completo, o tudo
Sempre confuso e é incerto
assim como nós o somos
E depende da interpretação.

domingo, 9 de maio de 2010

Tempo

tudo consiste simplesmente
em deixar acontecer
mentalizar o que se quer
por as mágoas de fora
ouvir a consciência

todas as feridas invariavelmente
em algum momento fecharão
mesmo que fiquem cicatrizes
para que lembremos das lições
onde quer que a felicidade alcance

ter sabedoria de aprender
entender que tudo passa
mesmo os bons momentos
para que valorizemos
o dom sublime da vida

terça-feira, 4 de maio de 2010

Autenticidade

Tentei plantar flores
esperando borboletas
Colorirem meu jardim
Alegrando meu sorriso.

Cultivei bonitas flores
Compradas todas por mim
Escolhidas da floricultura
Segundo me disseram bonito

Mas ainda faltava algo
Ele parecia tão vazio
Sem florescer ou perfumar
Sem ruido e sem vida.

Arei toda terra então
Destrui qualquer muda
Deixei exposto o solo
Adubei e esperei a chuva

Em pouco tempo voltaram
Sementes diferentes
que lá estavam nasceram
Um colorido perfumado

Naturalmente aconteceu
E meu sorriso estendido
Notando o que já havia
E permanecia inerte.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cego

Os cegos que não querem ver
Esses são realmente cegos
Sou míope de sensibilidade
A afetiva é claro, o que importa!

Tem gente com defeitos
mas imperdoável é olhar
sempre nos olhos de alguém
E não perceber aquela chama
Sim que se iguala a sua!

Mas não é possível!
Aquela criatura divina
jamais seria pra mim!
Devo ter visto mal...

Depois de ver a lágrima
Derramada pelo ser divino
O coração é rasgado de dor
A alma se despedaça

E continuamos andando, tropeçando
Sempre nas flores do caminho
nos presentes divinos encantados
nos nossos sonhos tão lindos, pisados.

Cinza


A cor do neutro, do descolorido
matiz do preto, entristecido
O céu da chuva antes da tempestade
O lago do outono antes do inverno

Tristeza é cinza, apagado
Ainda é cor, ainda se percebe
mais como a tristeza, some
deixa opaco, esmaecido

Depois do fogo, cinza
Depois da dor, cinza
Sem ter amor, cinza
Sentir dor, cinza

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Papel e caneta na mão


a mão se esforça à acompanhar
tudo que constrói o pensamento
transcrevendo no verso as idéias
a vontade, uma fúria, sentimento.

Movendo em uníssono a riscar
a caneta marcando o papel enquanto
na mente tudo gira em movimento
o pensar vai riscando o ser.

Mergulhar na alma, profundamente
depende das condições do tempo
segundo a emoção doce que aquece
ou as fúrias que turvam as águas.

A vista sempre alcança os fragmentos
de naufrágios tenebrosos, cicatrizes
Ou os tesouros ganhos, escondidos
que fazem acalmar as tempestades.

Entre lembranças e temores
os desencontros, os amores
registrados na lembrança
eternizados ficam em papel.

domingo, 18 de abril de 2010

Voando

ver a vida como um filme
sendo principal e coadjuvante
rindo e chorando, ou contemplando

tão simples e tão fantástico
um mundo de coisas para ver
infinito de situações a conviver

um livro sendo construído
as páginas sem número final
cenas trágicas e cômicas

a beleza do movimento
a grandeza no incerto
a maravilha no presente

Poder sentir arder a dor
Ou feliz rasgar-se em sorrisos
E apreender no que se passa.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Covardia




Declaro-me absolutamente covarde
não é que esteja tomando coragem
Ou queira moverme desse estado
Tão comodo e inerte, estagnado.

Nada mais que uma voz perdida
Daminha consciência abafada
Tentando não dar-se por vencida
Negando-se a permanecer calada.

Grita ao ver um menino pequeno
Cheirando cola na esquina
Com os trcados que dei a ele
De dentro do confortável carro.

Chora ao ver espancado o homem
que por ser fraco ou desesperançado
não teve sorte na vida e dorme
Na rua, à margem da vida.

Desespera-se ao ver sofrer
o cão perdido na multidão
Solitário e faminto, de amor
Abandonado sem qualquer pesar.

Magoa-se com o preconceito
Ofende-se com a corrupção
Estarrecida com a escravidão
Remoe-se ante a devastação.

Mas então vem a arma poderosa
que faz calar a consciencia
adormece-la por um tempo
A nessecidade imediatata.

Sim! A fome de adiquirir, consumir
De conquistar, vencer e ganhar!
Por que crescemos para gastar,
Não importa mais quem somos.

A fé segue a moda do momento
E a vontade é a última tecnologia
Entre corações e almas famintos
Vivemos só de fantasia.

terça-feira, 30 de março de 2010

Black hole




Like a balck hole, my hart
feeding on your on darkness
thinkn like never don´t
turn every thots in the same

needing you every moment
liking you all time
loosing for yours eyes
crazy for only smile

turn and turn at the same
never find, never quiet
thinking and desaring
passion burning my hart

sábado, 20 de março de 2010

Definição de sociedade

adrenalina, correndo fugindo
acelerando tudo sem rumo
tendando ir mais longe
ritmo frenético irrefreável

Energias ao limite do ser
Stress é menos que resfriado
Desgaste perdeu significado
Descanso para desocupado.

Agradeço pelo trabalho
duro de cada dia mais.
A hora extra que aumenta
o mínimo que não satisfaz.

A impotência na desgraça
a matança que passa
diante dos olhos infantes
sem que se possa sonhar

Esperança esmagada sob
o peso eterno do porvir
amanhecer sem ter certeza
se chegará o anoitecer

Cercados por falsa alegria
propagada em mil outdoors
que gritam saúde e paz
uma vida melhor, é só pagar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Flashicidade da memória


Uma fração ou um centésimo
do tempo em ação geradora
É o tempo gasto em ser feliz
Apenas um flash momentâneo

O registro desse instante
Por menor que seja a duração
Lembrado será por muito tempo
Além de si e por outrém

Trazendo a sombra do momento
Para aquecer a alma triste
Naquele flash doído e escuro
A dor, tristeza, infelicidade.

A duração e intensidade iguais
mas não se assemelham em forma
Enquanto um se relega esquecimento
Ao outro lembramos eternamente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vazio


quando tudo é silêncio
nã há dor, não há voz
nem prazer, ou sorriso
Seco o pranto, vazio

Não há quente ou frio
Nessessidade ou vontade
O sonho apagado, desaparece
A esperança passa ao largo.

Nada. É tão singular
Anestesia completa
Alma controlada.

À morte de um sonho
Some o prazer da conquista
Perde-se a vida de vista.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Circulando




A vida ciclando infinita
um círculo de mudanças
Como pode ser redonda,
Sendo mudança a vida?

Voltar ao princípio é
chegar em algum final,
um ponto diferente
Segundo um rumo.

Passar por mudanças
Transformar-se, adaptar
Deixar marcas, construir
Formar laços, criar.

Onde fica o círculo
Em uma linha curva
tão cheia de voltas
E emaranhados?

Um ciclo não é fechado
Porque muda ao seu redor
Transforma à sua volta
À seu tempo...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ocasião passada


Perdi o chão, estremeci
A voz se foi, me perdi
O corpo mole, sem sentir
E assim, olhando-te, sorri

Coração na boca, emoção
Paixão nas veis, sensação
Ardor no corpo, figuração
Desejo cego, adoração

Sentada ao seu lado, só
Palavras vazias, sem dó
Pensamentos calados, ó

Idecifrável timidez incólume
Mantem a postura indiferente
Você foi, ver outro alguém.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Acontece

Acontece de a gente deixar-se ir
Esquecer de comandar a vida
Largar o barco na corrente
Esperar o que vai chegar

Uma hora se acorda
Olhando pra ver onde foi
Que ponto triste foi esse
E qual o trajeto seguido

DifÍcil achar o caminho de volta
Olhar as conquistas passadas
Chances que evaporaram no ar
Sem que se pudesse tentar

É trabalhoso dirigir nessa estrada
comandar a viagem e manter o rumo
Ficar alerta e acertar o sentido
Quem sabe o que vai acontecer?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Saudosismo

No eco da minha voz
som abafado dos risos
a infância que me deixou
adolescência passada
sauda fico da vida
que inunda com alegria
memórias selecionadas
guardo-as lacradas
do lado esquerdo
todos aqueles sorrisos
amigos

sábado, 16 de janeiro de 2010

Racionalizando o ser

atenção, apreciação, audição
Seres humanos requerem tanto
Quanto o ar que não pode faltar
Mas negam aos demais, no entanto

Acontece que ser egoista
É intrínseco, instintivo
Faz parte da competição
Ajuda a eliminar os fracos

Frascos e comprimidos para depressão
Um sorriso à beira da morte
Não! Nâo é nada, apenas fraqueza
Por que fica remoendo sofrimento
Poderia trabalhar, gerar conhecimento?

Claro, por que pensar nos problemas
Enqunto posso trabalhar e produzir?
Pra que servem as tais relações
Se podemos reduzir e comprimir?

Espremer, apertar, acelerar, esmagar
Aquele que passa por tudo isso
Sai vencedor lá no final
resta saber se existe prêmio
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