
Enchergar é tão intríseco
tal qual o respirar
Para quem tem os sentidos
Usa-los é quase obrigação
Mas desaprendemos a ajustar as lentes
Perdemos o foco do que realmente importa
Aquela impressão desfocada toma conta
E vira a boia salvavidas
Há quem morra sem enchergar além de si
Ou quem não consiga ver além do próximo
Aos primeiros chamamos egoístas
Os segundos, são santos
Fica fácil olhar a desgraça alheia
Fechar-se esconder a face
Sem ver-se no cerne do problema
Ou focar-se no alheio
Lutar por um mundo melhor
esquecendo de fazer parte dele